Grupos de Discussão

A aula de matemática

Este Encontro tem como propósito principal refletir sobre a aula e os diferentes atores que nela participam. Tratando-se de um espaço de partilha de conhecimentos e um contexto privilegiado de aprendizagens, pretende-se apresentar e discutir a investigação que tem vindo a ser desenvolvida neste domínio, quer a nível nacional quer internacional. Sendo o tema do Encontro centrado na aula de matemática, de acordo com os trabalhos submetidos, constituíram-se quatro Grupos de discussão.

GD1 – Investigando a aula

A aula de matemática continua a ser, no presente, o contexto central do ensino e aprendizagem da matemática escolar. O estudo de registos e documentos do passado ajuda-nos a recontextualizar o significado das suas dinâmicas e dos seus traços estruturantes e a projetar o que se espera e defende para a educação do século XXI. Não apenas os papéis dos alunos e dos professores requerem uma permanente e renovada investigação, como os recursos, cada vez mais abundantes e acessíveis, trazem implicações e desafios acrescidos para a matemática que se aprende e compreende na aula de matemática. As próprias fronteiras da aula tenderão a tornar-se menos estanques, mercê da necessidade de articulações entre áreas do saber, que se reconhecem imprescindíveis para a abordagem de problemas cada vez menos tipificados. Por isso, na aula de matemática, as tarefas e as propostas de trabalho, bem como as atitudes e as metodologias desempenham funções essenciais.

Neste grupo de discussão, serão múltiplas as dimensões que estarão em foco na investigação e no estudo da aula. Em particular, destacamos:

  • Práticas da aula
  • Cultura da aula
  • Recursos, materiais, tarefas e metodologias
  • Diferenciação pedagógica e estratégias de avaliação
  • Interdisciplinaridade e integração das STEM

Dinamizadoras: Alexandra Rodrigues e Susana Carreira

 

GD2 – A comunicação na aula de matemática

Ao longo dos anos, a investigação em educação matemática tem evidenciado a importância do desenvolvimento de capacidades transversais em paralelo com a aquisição de conhecimentos matemáticos. Sublinha-se ainda que, para que os alunos aprendam de forma eficaz e significativa, o papel do professor é determinante na aula de matemática. O estudo de registos e documentos do passado tem vindo a reforçar quea opção por estratégias ativas de aprendizagem, que mantenham os alunos intelectualmente, fisicamente e socialmente envolvidos, tem um impacto positivo no seu desempenho. Práticas desta natureza criam oportunidades para que os alunos resolvam e formulem problemas, discutam ideias com os seus pares e com o professor e desenvolvam o espírito crítico. Neste âmbito surgem, por exemplo, o questionamento e as discussões coletivas que têm vindo a despertar o interesse por parte de investigadores e professores de Matemática. O professor tem um papel essencial na criação de um ambiente propício a que os alunos se envolvam na resolução da(s) tarefa(s) proposta(s), mas também na gestão de interações que facilitem a comunicação matemática. Falar, ouvir e escrever sobre matemática, ajuda a organizar e consolidar o pensamento e a expressar ideias matemáticas de forma coerente e precisa. Através da comunicação, as ideias transformam-se em objetos de reflexão, podendo ser analisadas, discutidas e refinadas. A promoção desta cultura de sala de aula implica que o professor crie um ambiente que motive a participação e o envolvimento dos alunos, colocando questões desafiantes, ouvindo/lendo os seus argumentos. A possibilidade de integrar uma comunidade matemática, através do discurso ou mesmo da escrita, traz aos alunos vantagens não só ao nível do desenvolvimento da linguagem mas também ao nível da compreensão conceptual.

Neste grupo de discussão, procurar-se-á focar a investigação sobre a aula de matemática dando especial atenção à comunicação, em diferentes vertentes e com diferentes atores.

Dinamizadoras: Ana Barbosa e Mária Almeida

 

GD3 – O professor e a aula de matemática

A formação e o desenvolvimento profissional do professor são determinantes para as opções que este assume na sala de aula. É o seu conhecimento, aquilo que valoriza e o contexto onde se encontra inserido que determinam as experiências de aprendizagem que proporciona aos seus alunos. Mas esse conhecimento profissional envolve uma multiplicidade de dimensões que decorrem da sua formação inicial e contínua, mas também das experiências que teve ocasião de vivenciar e de processos de socialização, onde a interação com os pares e as oportunidades de desenvolver trabalho colaborativo são elementos importantes. A aula de matemática surge assim como o campo aglutinador do trabalho do professor numa dupla vertente que se une num ciclo único: por um lado a aula de Matemática é o foco do trabalho do professor, onde as opções previamente assumidas são implementadas; e, por outro lado, é um ponto de partida para a reflexão e o desenvolvimento profissional do professor.

Da planificação da aula, onde a escolha das tarefas e a forma de as implementar são aspetos centrais e onde a vertente histórica não deixará de estar presente; à sua implementação, operacionalizando diferentes recursos (nomeadamente os tecnológicos) e assumindo dinâmicas de aula diferenciadas; até à fase de reflexão entre pares, que termina e reinicia um novo ciclo – estas serão as grandes etapas em torno das quais as sessões deste grupo de discussão se organizarão e onde a formação inicial e contínua não deixarão de estar presentes.

Dinamizadoras: Helena Rocha e Paula Teixeira

 

GD4 – O aluno e a aula de Matemática

O ambiente de aprendizagem, na aula de matemática, é essencial para promover aprendizagens significativas sobre: conceitos matemáticos, resolução de problemas, raciocínio e comunicação matemática entre outros. O envolvimento dos alunos em dinâmicas de trabalho individuais e cooperativas na aula, são fundamentais para que se promovam momentos de trabalho autónomo e discussões coletivas que apoiem a construção e a partilha de conhecimento matemático. O aluno na aula de matemática desempenha um papel fulcral, por exemplo, nas suas aprendizagens matemáticas e na interpretação do que a Matemática é, através do que acontece à sua volta.

As aprendizagens do aluno são apoiadas pelo processo de representar, uma maneira de modelar a matemática e uma forma dele mostrar o seu pensamento sobre a matemática. Professor e alunos usam geralmente variadas representações na aula de matemática.  As representações podem ser utlizadas para ajudar a compreender conceitos e processos matemáticos abstratos, aumentar a flexibilidade do pensamento, facilitar a resolução de problemas e reduzir a ansiedade de fazer matemática. No processo de aprendizagem pode ser usada: uma única representação; mais que uma representação em paralelo; ligações entre representações paralelas; integração de representações e ligações flexíveis entre elas.

Neste grupo de discussão, as investigações apresentadas focam-se essencialmente nas aprendizagens dos alunos e o processo de representar tem lá uma importante função.

Dinamizadoras: Conceição Costa e Renata Carvalho